TIROS DE PÓLVORA SECA

Wilson M. Moura Ξ September, 9th 2019

Discutir se o um agente público teve uma conduta imoral ou cometeu crimes contra o erário público é o mesmo que dar um tiro pela culatra, ou seja, optar pela ineficiência, ineficácia e falta de efetividade. A corrupção sempre existiu, existe e continuará existindo: é um sentimento aflitivo humano, praticado em ampla escala.

Nossa pomposa Constituição federal, outorgada em 1988, foi arquitetada cuidadosamente para bafejar os políticos e membros do executivo e judiciário, distribuindo prerrogativas e excessivo poder discricionário. Além disso, propôs um caminhão de direitos populares, relegando a segundo plano os respectivos deveres: é uma constituição dirigida a pessoas quaisquer, não a cidadãos.

Os Princípios da Administração pública (Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência) são, de fato, conversas para boi dormir, totalmente ignorados aos olhos dos constituintes. Aliás, bois não, touros. A população se permite iludir, vive resmungando e continua agindo com base na tacanhez e nas dúvidas negativas. Produzimos um sistema de governo totalmente propício à corrupção e, por conseguinte, as práticas viciadas e degradantes continuarão conduzindo as políticas de estado. Fala-se amplamente em democracia, mas raramente se discute sua qualidade, resultando em tiros eternos que saem pela culatra.

Por isso, não adianta vociferar e continuar contemplando a chuva molhar o molhado. Essa atitude só acumulará muitas frustrações e produzirá problemas de saúde mental e física: não é à toa que a Organização Mundial da Saúde considera o Brasil como sendo o país mais ansioso do mundo. Eu ainda afirmaria, por minha conta e risco, que somos os que menos desenvolvemos visão sistêmica e pensamento crítico e inteligência emocional. Pudera, temos a nona maior economia do mundo, todas as condições de temperatura e pressão para nos tornar o país com a melhor qualidade de vida do planeta, contudo não conseguimos sair da tacanhice: nossa cultura produz, via de regra, orgulho, distrações, desagregação, descomprometimento, desorganização, indisciplina e irresponsabilidades. Sim, a realidade mostra-se nua e crua. Só não vê quem não quer ou não consegue vê-la.

Necessitamos refletir sobre nossas próprias ações, sobre nossa incapacidade de análise cognitiva, sobre o significado da palavra integridade. As circunstâncias tacanhas nas quais nos encontramos evidenciam que todos nós, em graus menores ou maiores, erramos ou continuamos nos equivocando em algum momento, seja por indiferença, prepotência ou incompetência. A caça às bruxas não irá resolver os muitos gargalos encontrados. Nunca resolveu!

Aprender a nos organizar, integrar e interagir. Focar e priorizar poucas e fundamentais ações. Precisamos evitar o gasto desnecessário de energia e aprender a propor soluções eficazes, eficientes e efetivas. Organizar uma agenda de medidas, assertiva e transparente, por meio de emendas constitucionais. Exigir o seu cumprimento, de forma organizada, geral e irrestrita. Poucas alterações resolveriam grande parte dos problemas.

Ao invés de resmungar e gerar temores, precisamos desenvolver uma criatividade efetiva, aprender a produzir autoconhecimento e semear soluções. Maturidade é uma virtude que só se manifesta juntamente com a simplicidade. Começa a florescer quando nos motivamos a entender as pequenas coisas, não quando desejamos grandes objetivos. O otimismo, sem discernimento e análise ponderada, é uma provocação inventada para nos impedir de aceitar a realidade e mudar o rumo das ações. Caso contrário, como diriam nossos patrícios, continuaremos dando “tiros de pólvora seca”, tendo iniciativas que nos conduzem ao nada.

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, escritor e mentor, especialista em tendências.

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