SENTAR, INTROSPECTAR E CONTEMPLAR

Wilson M. Moura Ξ August, 6th 2019

O filósofo francês Charles Pépin nos convida a investigar as virtudes do fracasso, enfatizando “Uma sociedade que não aceita erros é doente”. Que tal utilizarmos a sabedoria dos grandes mestres e aprender a enxergar os fenômenos como realmente são, sem delusões. Sentar, introspectar e contemplar os aspectos latentes e enraizados da cultura brasileira.

Temos uma vigorosa tendência ao preconceito, com atitudes como racismo, feminismo, machismo, bullying e homofobia espalhados aos quatro cantos. De outro modo, uma fixação pelo sucesso, como se não dependesse dos insucessos. Sem contar a exacerbada paixão pela religião, uma forma dissimulada de colocar a ‘culpa’ das frustações, dificuldades e incertezas nos outros, esperando que as soluções surjam de fora para dentro. Infelizmente, a maioria não pratica a religiosidade como caminho para a espiritualidade, num processo de assunção da responsabilidade individual e social.

Também não aprendemos a refletir sobre os significados dos substantivos ideologia e cultura, e raramente praticamos a integridade e a inteligência emocional, virtudes indispensáveis para solucionar problemas arraigados. Além disso, confundimos pensamento crítico com crítica negativa. É um tal de atacar o pensamento alheio, de girar a metralhadora pra todos os cantos e disparar o poder do verbo, sem se dar conta de que a fala é uma consequência do pensamento, num mecanismo de confusão e preguiça mental, gerando inércia geral e irrestrita, o que produz uma estupidez abundante. A informação está amplamente disponível, porém não é transformada em conhecimento.

Sensatez, consciência e discernimento são fatores mentais longínquos na sociedade brasileira, totalmente desbalanceada pela emoção, em detrimento da razão. Mantém-se afastada do seu homework cívico, não aprendeu a priorizar, ponderar e possui um alto grau de ansiedade, ou seja, quer resolver todos os gargalos em uma única tacada, esquecendo que não existem soluções perfeitas; a natureza é impermanente, imperfeita, daí sua exuberante capacidade de nos ensinar.

A vida sempre nos proporciona escolhas: podemos viver sem semear nem colher resultados virtuosos ou desenvolver uma longevidade consciente e disseminar sementes. É um exercício de plena liberdade. E o que nos resta no momento? Desenvolver a paciência e a simplicidade, Holy Batman! Fica aqui a sugestão: sentar, introspectar e contemplar.

Niterói, 6 de agosto de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, escritor e mentor, especialista em tendências.

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