SAÚDE MENTAL: RAZÕES PARA MEDITAR

Wilson M. Moura Ξ July, 23rd 2019

A sociedade mundial vem evoluindo nitidamente em alguns critérios: % global de alfabetização, conforto, saúde física, longevidade, tecnologia, índice de pobreza, número de democracias, etc. Em oposição, outros aspectos exibem uma ampla incapacidade de produzir uma mentalidade de crescimento e maturidade emocional: distribuição desprezível de renda, obesidade, degradação e poluição ambiental, consumo exacerbado, alta pegada ecológica que restringe os recursos finitos do planeta, aumento populacional descontrolado e desequilibrado, redução significativa da biodiversidade, racismo, homofobia, incremento do terrorismo, guerrilhas. Além de assistirmos a um gigantesco desfile de novos grupos de doenças edistúrbios mentaisque nos assolam: ausência de afeto e empatia, depressão, alzheimer, mal de parkinson, anorexia, cibercondria (hipocondria da era digital), transtorno de ansiedade generalizada – TAG, distresse (estresse negativo), efeito google (deixa o cérebro mais preguiçoso), fomo (medo de ficar por fora do que acontece), nomofobia (medo de não se sentir acessível ou conectado devido à falta de celular), transtorno obsessivo compulsivo – TOC, síndrome de burn out (esgotamento profissional), sleep texting (sonâmbulo que navega na internet), vigorexia (obsessão pelo corpo perfeito), pânico, terror e outros infindáveis tipos de fobias e síndromes. São evidências claras de que necessitamos aperfeiçoar, e muito, nossas ideologias e comportamentos.

Sentimentos aflitivos como agressividade, raiva, ódio, orgulho, arrogância, avidez, medo e dúvida negativa tentam se perpetuar. Não são novidades no vocabulário humano, ao contrário. São fatores inerentes à mente, gerados pela ignorância condicionada. Não me refiro a ignorância intelectual, e sim a incapacidade de compreender os fenômenos como são. Esse processo mental ignorante produz um movimento de criação e ocultação, onde a mente cria milhões de desejos e, simultaneamente, oculta sua própria responsabilidade e as consequências das suas intenções, crenças e ausência de valores. Há uma sensação ilusória de liberdade e, ao mesmo tempo, um sentimento de solidão, onde a paz interior é usualmente confundida com distrações não sustentáveis. Os sistemas cultural e educacional não nos ensinam a pensar, aperfeiçoar o bem-estar e a felicidade ou formar cidadãos, mas a produzir coisas materiais.

Fenômenos como ausência de compaixão, empatia, diálogo, obsessão às redes sociais, pokemons, namoros com robôs e drástica redução de relacionamentos duradouros exemplificam com clareza uma ânsia para encontrar um ‘culpado’, instintos e desejos (id) desenfreados pelo prazer, sem qualquer manifestação dos ideais morais e culturais do indivíduo (superego), numa evidente atividade de autodefesa de distúrbios emocionais e ausência de introspecção e plena atenção. A prioridade é para o que vem de fora para dentro, raramente o de dentro para fora: o foco é contrário à pacificação da mente. Fomentamos uma sociedade voltada para a ansiedade contínua, que traz como consequências inexoráveis o distresse (estresse negativo) e a depressão, quando deveríamos estar focados na saúde mental, alegria e felicidade.

Os meios de comunicação possuem uma tendência em pautar as más notícias, sofrimentos, fofocas e maledicências. Não obstante,para ocupar o tempo de televisão e rádio, qualquer terráqueo vira ‘comentarista’, repetem os mesmos assuntos inúmeras vezes ao dia, sendo que, para justificar a programação, produzem verdadeiras fábricas de previsões sobre o futuro, num ciclo incessante de expectativas e, consequentemente, ansiedade e distresse. Dão a isso o nome de ‘informação’ e concebem seus ‘gurus’, chamados de ‘atrações’, numa busca ávida pela idolatria. O foco não é a qualidade da programação, e sim a audiência. Sob a desculpa de que o povo gosta de porcarias, produzem mais porcarias, mais ‘ídolos’. De fato, essa é a eterna contradição do marketing: vender o que é necessário ou criar necessidades desnecessárias?

E assim caminhamos, sem lenço, nem documento. Criamos os problemas e os ocultamos, inexoravelmente. Quem escolhe os critérios das informações? São necessárias? Relevantes? Quais as consequências? Nos ensinam a transformá-las em conhecimento? Sem contar que os meios de comunicação não são diferentes dos políticos: você só consegue acesso à mídia através da política, ou seja, de assessores de imprensa que te cobram fortunas para nos introduzir às ‘pessoas certas’. Os caminhos são distintos, mas os meios são os mesmos, navegando na preguiça, confusão e delusão. No ambiente profissional, enfatiza-se o ‘networking’, termo que simboliza uma efetiva difusão da falsidade e cinismo. É evidente que é importante ampliar a rede de relacionamentos, de maneira sadia, contudo ocorre que isso é feito de maneira demagógica e dissimulada, muitas vezes. O objetivo, de fato, é se vender, não o bem-estar comum, num modelo evidente de comunicação e adaptação que não gera estabilidade emocional. Logicamente, sublinho que toda regra possui sua exceção, mas, os meios justificam os fins?

Dessarte, o sistema em que vivemos está completamente equivocado, delusório, ineficaz. Não digo para nos rebelarmos, para deixar de produzir e gritar no meio da rua. É preciso, sim, refletir, meditar visando encontrar soluções de interação e integração e focar à paz interior.

Niterói, 23 de julho de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

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