SAÚDE EM FOCO

Wilson M. Moura Ξ May, 4th 2020

Quanta veemência na defesa da Saúde! Deveras, a Saúde deveria ser um princípio ativo e esplendoroso na nossa sociedade. Subitamente, o Covid-19 puxou seus revólveres do coldre e nos deu um xeque-mate. Com a população confusa, desorganizada e acuada, os membros da Saúde tornaram-se ídolos, heróis, salvadores da pátria.

Logo, um precioso momento para meditar: quando a Saúde foi considerada prioridade nos últimos 520 anos? Temos abundância, respeito, celeridade e qualidade na Saúde pública? Você se considera bem atendido numa consulta médica? Os médicos cumprem os horários agendados? Nos tratam com tranquilidade, empatia ou compaixão? Procuram tratar as causas das doenças ou dos sintomas? Lembremo-nos que os médicos fazem, por ocasião de sua formatura, dois votos solenes: o Juramento de Hipócrates e o Código de Ética Médica. Puro livre arbítrio!

O Sistema Único de Saúde, inspirado no National Health Service do Reino Unido, foi criado juntamente com a CF/1988 e, posteriormente, aprimorado com a Lei Orgânica da Saúde 8.080/1990. Em tese, é um projeto robusto e significativo, contudo perde-se nas entranhas da República, seja por incompetência administrativa, imoralidade e/ou corrupção.

Aliás, você já precisou ser atendido ou internado em nossos hospitais públicos ou privados? Com relação aos atendimentos, todos sabemos da inconsistência latente na rede pública. No que concerne a internações, fiz algumas visitas a parentes internados em hospitais privados nos últimos anos e fiquei consternado: médicos, enfermeiras e técnicas de enfermagem completamente abstraídos, descomprometidos com o paciente.

Em todas as ocasiões encontrei duras críticas ao atendimento. Havia sim, o cinismo casual “querida” pra cá, “querido” pra lá. De fato, o comum é nos depararmos com profissionais incompetentes e desatentos, nas verdadeiras acepções das palavras. É lógico que temos a opção de desembolsarmos míseros R$ 600 por consulta e sermos atendidos pelos nossos médicos particulares. Mas, e a maioria absoluta que não possui essa condição?

Além disso, a classe médica é considerada como sendo uma das campeãs em transtornos mentais como ansiedade generalizada, distresse, síndrome de burn out, dentre outros, num paradoxo explícito em relação ao seu propósito: cuidar da saúde. Sem contar que a Saúde Pública é motivo de corrupção geral e irrestrita: as Secretarias de Saúde, sejam estaduais ou municipais, são genuínos antros de corrupção.

Bem, aí meu raciocínio lógico não me permitiu limitar-me. Por que não tamanha intrepidez, ardor contra a corrupção, violência, criminalidade, desigualdade social, poluição, deseducação, burocracia, etc.? Quantas pessoas morrem por segundo em função desse amálgama de estupidez? Precisamos nos conscientizar que a Saúde integral abrange inúmeros aspectos, infelizmente ignorados.

Mas então, por que o interesse repentino de todos pela Saúde? A resposta é óbvia: por que o Covid-19 entra na casa de qualquer um; não vê pobreza ou riqueza. Daí o interesse repentino e generalizado. De fato, o que está por trás é uma dupla que se chama ‘Orgulho & Egocentrismo’, ou seja, o próprio umbigo. Quando ninguém pisa no nosso pé, não damos atenção. Quando ameaçam pisar nos dois pés, e também nos pulmões e outros órgãos, bum… É lógico que existem excelentes profissionais de saúde, direcionados pelos votos prestados no momento da diplomação. Mas, infelizmente, fazem parte da minoria.

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, não é mesmo? Acontece que não existem coincidências: há sim causas, circunstâncias e consequências. Ou então poderíamos citar mestre Guimarães Rosa “Seja realista, acredite em milagres”.

Precisamos ser realistas e desenvolver a habilidade da atenção plena e do dimensionamento efetivo visando tratar a Saúde com outra ênfase, íntegra e abrangente, não somente com aplausos entusiastas e emocionais durante uma pandemia, pois ela está bem enferma. De outro modo, continuará a ser eternamente parte do problema, nunca solução.

Niterói, 4 de maio de 2020

Wilson M. Moura

Contato para palestras: news@wilsonmmoura.com

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Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Atua como strategic thinker, palestrante, mentor e escritor, com o propósito de viabilizar pessoas e organizações a projetar estratégias de mentalidade de crescimento, maturidade emocional e a pacificação da mente, assim como otimizar metas e investimentos, vivenciar experiências transformadoras e de autorrealização.

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