REFLEXÕES TUPINIQUINS NO LIMIAR DOS 60

Wilson M. Moura Ξ June, 15th 2018

Mais alguns poucos dias e chegarei aos 60 anos: impossível não fazer uma reflexão. Até os 5 anos de idade era feliz e não tinha discernimento. Dos 6 aos 27 vivenciei um período híbrido, entre a ditadura militar e sua condescendência, com um desfile de 7 presidentes cínicos, incompetentes, larápios e toscos. Aos 27, fui obrigado a aceitar um presidente de bigode, cínico, larápio e tosco. Aos 32, fui introduzido a um presidente das Alagoas, cínico, prepotente, larápio e tosco.

Aos 34, tive que engolir um presidente de topete, cínico, exibido, larápio e tosco. Aos 37, surgiu um presidente sociólogo, cínico, larápio e tosco. Aos 45, fui obrigado a engolir um presidente semi-analfabeto, cínico, psicótico, raivoso e tosco: o maior larápio da história desse país.

Aos 53, deparei-me com a pior presidente dentre todos: cínica, imbecil, indefinível, psicótica, larápia e tosca, me obrigando a testar todos as minhas competências racionais e emocionais. Aos 58, topei com um vice-presidente, cínico, ávido, larápio e tosco, que destituiu a presidente indefinível e, ainda assim, conseguiu o pior índice de aprovação da história.

É, até hoje foram 18 presidentes ao longo de 59 anos, sempre praticantes dos jogos de poder. Sim, quase 60 anos! Interessante notar o sincronismo nas características dos presidentes. São eles os irresponsáveis ou somos nós? Ou ambos? O nosso Brasil, evoluiu? Financeira, econômica e tecnologicamente sim, contudo, a mentalidade brasileira não apresentou progressos, ao contrário. Nosso povo é confuso, disperso, desorganizado, descomprometido, indisciplinado e irresponsável. E o que é pior: extremamente orgulhoso, sentimento que impede qualquer forma de evolução. De fato, nunca imaginei que chegaria aos 60 anos acompanhado de tanta ignorância, o que me fez lembrar do poeta inglês Thomas Stearns Eliot “Estamos distraídos da distração pela distração, cheios de fantasias e vazios de significado.” Fica aqui a pergunta: seria a ignorância uma ciência?

Nosso status quo reflete todos esses sentimentos aflitivos. É a lei universal da causa e consequência se manifestando, uma regra puramente probabilística. O Brasil é um país definitivamente incoerente. Vivemos o pior momento dos últimos 60 anos, num quadro triste, tendo todas as condições para estarmos nos melhores níveis. Nossa cultura não evoluiu e, portanto, necessitamos analisar suas causas: nossos valores, intenções, crenças e comportamentos. Além disso, se combinarmos com um nível educacional pífio, podemos constatar que temos o que merecemos. Excesso de religiosidade, caça aos culpados, cinismo e resmungos; falta de autodimensionamento, regulamentação e uma firme incompetência para analisar as próprias limitações, numa evidente ausência de integridade. O brasileiro age com base na emoção, ignorando a razão. Existe uma grande movimentação de energia, mas direcionada para fins irracionais, insustentáveis e completamente improdutivos. Sem contar que nossa pujante criatividade não é efetiva.

Ainda bem que os fenômenos do universo são impermanentes. A impermanência é um mecanismo natural universal, mas para que nos traga benefícios, necessita estar atrelada ao discernimento, consciência e visão sistêmica. Caso contrário, é um simples movimento de construção e destruição, sem qualquer tendência ou nacionalidade.

Que venham os 60. Cheers! Santé!

Niterói, 15 de junho de 2018

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

Mais sobre mim
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Fator Zen - Um Convite à Paz Interior

Informe-se sobre o conteúdo do livro e receba-o em casa, autografado.

Deixe uma resposta