PROPÓSITOS & DESPROPÓSITOS

Wilson M. Moura Ξ July, 31th 2019

O propósito do meu trabalho é o desenvolvimento de uma mentalidade de crescimento temperada com maturidade emocional, virtudes ainda longínquas na cultura brasileira. Crescimento e maturidade só se aprimoram a partir de atitudes como pensamento crítico e as inteligências emocional, cognitiva, intrapessoal e interpessoal, que por sua vez, necessitam estar alicerçadas pela simplicidade, disciplina, equanimidade e firme determinação. Sim, um complexo amálgama de ações, sejam crenças, intenções, valores e comportamentos.

As questões-chave chamam-se ‘cultura’ & ‘qualidade’. Necessitamos cambiar nossos paradigmas culturais, acrescentando o atributo da qualidade. O brasileiro possui uma ampla habilidade para se distrair, desvirtuar a atenção ou focar coisas supérfluas/inócuas, produzindo uma cultura inábil para solucionar seus próprios gargalos. Ao longo dos anos, construiu modelos totalmente carentes de inteligência emocional ou visão sistêmica, produzindo cenários nacionais estapafúrdios, sejam políticos, jurídicos e executivos, ou mesmo nos temas voltados ao bem-estar social.

Nosso atual presidente, Bolsonaro, de fato, é totalmente desprovido de competências agregadoras, manifestando interesses pessoais direcionados exclusivamente às bancadas evangélica, da bala e do agronegócio. É uma espécie de ogro, com uma mentalidade infantil, disparando seus instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes a esmo, prazerosamente, sem qualquer manifestação do superego, ou seja, sem controle da moralidade. Evidencia uma personalidade imprudente, incapaz de simular resultantes equânimes e, portanto, do bem-estar comum. Não possui, pois, credenciais para exercer qualquer função pública.

Contudo, é um mal necessário. Ele evidencia o oposto esdrúxulo, o desequilíbrio total da balança cultural brasileira. De um lado, temos o despautério bolsonarista e, de outro modo, o contraditório avarento, isto é, a estupidez esquerdista. Sim, a esquerda brasileira é um genuíno antro de incompetência, cinismo, falsidade, desorganização e irresponsabilidade social. Ela também desagrega, exaure as energias virtuosas, não exercendo qualquer forma de comprometimento para o desenvolvimento da nação.

Além disso, enquanto Bolsonaro defendia as armas bélicas, a esquerda nos introduzia sua melhor munição: a corrupção franca e aberta. Fraturou todos os ossos do país, sem qualquer piedade, enriquecendo largamente seus múltiplos caciques. Ademais, efetuou uma aliança inquebrável com a maior parte da intelectualidade brasileira, como se num pacto macabro de sangue, consolidando uma ‘irmandade egocêntrica e tosca’. Sim, o Brasil introduz mais uma dicotomia, ou seja, intelectuais ignorantes, inaptos a produzir ideias efetivas e inspirar mudanças sociais consistentes. Criticam áspera e negativamente o direitismo; fazem-se de cegos, surdos e mudos, desconsiderando o barbarismo pluralizado imputado à sociedade brasileira pelo fanatismo de esquerda.

No que tange aos artistas, alguns propensos intelectuais, foram carinhosamente contemplados com generosos cachês ou polpudos contratos sem licitação, produzindo uma cultura inócua, desqualificada de aptidões qualitativas, numa espécie de toma lá, dá cá, num mero jogo de poder. Na realidade, são personagens egocêntricos e sarcásticos, muitas vezes narcisistas e, por consequência, destituídos de integridade, empatia, compaixão, introspecção e atenção plena.

Pois é, o antropólogo Flávio Gordon nos fez entender, em seu livro “A Corrupção da Inteligência – Intelectuais e Poder no Brasil”, que a corrupção foi tão explícita na esquerda que ela corrompeu a própria inteligência. Felizmente, também existem intelectuais e artistas sérios na nossa idolatrada Pátria amada.

What a hell”, diriam os ingleses. Vivenciamos uma circunstância completamente bestial, entre os extremos estúpidos, incapazes de visualizar o caminho do meio. Nossa cultura aborígene nunca soube arquitetar o equilíbrio, não soube privilegiar o quinteto consciência, discernimento, visão sistêmica, responsabilidade e sabedoria. De fato, soluções virtuosas nunca serão encontradas nos opostos, mas na união deles. Entretanto, temos um momento mágico, de extrema transparência, perfeito para inserirmos os pingos nos is.

O cenário brasileiro é patético, um verdadeiro despropósito e, por isso, de árdua contemplação. É preciso ter coragem para lidar com a falsidade e a hipocrisia, venenos mentais altamente destrutivos, uma espécie de praga que nos assola há séculos, livre, leve e sola, que deve ser combatida com veemência e erradicada. Com isso, dimensionar os problemas, reconhecê-los, priorizá-los, adaptá-los e direcioná-los, com ponderação e absoluta paciência. Necessitamos aprender a ver com os olhos da consciência, nos equilibrar, nos elevar, visando atingir campos energéticos mais amplos, livres dos pólos da atração por uns, e da aversão por outros.

Niterói, 31 de julho de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, escritor e mentor, especialista em tendências comportamentais.

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