PREVIDÊNCIA SOCIAL, PARA QUE TE QUERO?

Wilson M. Moura Ξ July, 27h 2019

Tempo e energia talvez sejam os bens mais preciosos que possuímos, portanto é fundamental aprender a administrá-los. Pois bem, tempo, energia e dinheiro, mucha plata, é o que desperdiçamos com reformas da previdência, há décadas. Uma malversação, um desvio de administração pública, uma absoluta tacanhez. Previdência não deveria ser função do Estado, mas sim uma responsabilidade moral de cada cidadão. Deveria ser um aspecto cultural e educacional, ensinado em verso esplêndido desde a adolescência, afinal a velhice é uma das consequências inexoráveis da vida. Contudo, nosso paradigma simboliza uma ausência de consciência, discernimento e responsabilidade, transferindo para o Estado o que deveria ser um dever pessoal.

Imaginemos que não tivéssemos qualquer obrigação de contribuição no contra cheque, nem o desprazer de sermos atendidos pelos servidores da previdência social. Também não seríamos obrigados a arcar com os custos dos irresponsáveis, que produzem pencas de filhos sem qualquer condição financeira, transferindo as despesas para os contribuintes, em caráter permanente. Sem termos que financiar programas como bolsa-família ou auxílio presidiário. Além disso, o cidadão poderia aplicar sua poupança e vê-la ser corrigida de acordo com juros reais, não os praticados pelas regras delusórias vigentes.

De fato, a Previdência, do jeito que se apresenta, não apresenta soluções plausíveis, efetivas, pois o salário mínimo, assim como o teto previdenciário, são deploráveis para a esmagadora maioria dos brasileiros. De outro modo, temos a pequena parcela da população gigantescamente amamentada: servidores públicos estatais (municipais, estaduais e federais) e políticos, aposentando-se com remunerações integrais, que se somam a outras gratificações estatutárias e aposentadorias, num verdadeiro bacanal dionisíaco. As discrepâncias são abissais em relação ao salário mínimo vigente: multiplicam-se facilmente por 20, 30, 40, 50, 60 vezes…

Mas você pode estar se perguntando como resolver uma questão tão complexa, visto o emaranho de leis, condições e planos distintos de aposentadoria. E eu responderia com a maior simplicidade: aplicar a nova reforma da previdência somente para as pessoas que já contribuíram ou contribuem, sendo que os nascidos a partir de 2020 não seriam mais inclusos na previdência social. Com isso, o Poder Executivo seria responsável pelas políticas públicas relacionadas à educação, saúde, segurança e infraestrutura, exclusivamente, com um corpo de servidores enxuto e direcionado pela competência.

Temos um status quo de ampla confusão mental, ou, talvez, olhando por um outro prisma, de uma trama ardilosa/maliciosa orquestrada pelos políticos e juristas, autores das nossas leis e constituições. Oficializa-se a sovinice, a desigualdade social, sob os auspícios do respeitável público, ou, então, introduz-se a prática dos subterfúgios, dos pretextos para permanecermos eternamente dependentes dos mesmos, esses sim, os genuínos estrategistas da república brasileira da conveniência, hipocrisia e falsidade, consubstanciando o que podemos chamar de uma tempestuosa insensatez.

Niterói, 27 de julho de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

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