O VÍRUS DA CONSCIÊNCIA

Wilson M. Moura Ξ March, 29th 2020

Eu conheço 12 países na Ásia, dentre viagens pessoais e profissionais. Numa das oportunidades, passei 3 meses entre Índia e Nepal. Quem lá esteve sabe como funcionam as feiras livres e as inúmeras cozinhas ambulantes em meio às ruas lotadas com milhares de transeuntes, tuk-tuk’s, animais de toda espécie, ônibus, veículos, etc. A situação é idêntica no continente africano.

Higiene e saúde pública são aspectos totalmente ignorados nesses ambientes excêntricos e com altíssimo nível de contaminação, seja no ar, alimentos ou no contato físico. Assim surgiram a febre suína, ebola e agora o Covid-19, dentre várias doenças zoonóticas, exemplos claros das ameaças constantes que enfrentamos.

O que sinceramente me surpreende é a incompetência, ou talvez má fé, de algumas instituições nacionais e internacionais ao não praticarem a proatividade e o devido planejamento do que é óbvio. Se formos nos ater ao significado do termo competência, teríamos a união dos nossos conhecimentos, habilidades, intenções e comportamentos. Aqui entre nós, não nos falta conhecimento sobre planejamento sanitário, nem habilidades científicas. O que nos falta, sim, é provocarmos intenções e comportamentos retos: nos faltam valores e crenças direcionadas ao todo, não no “eu”, como de hábito.

Há uma séria limitação cultural nas atitudes e crendices. O pensamento geral é de extrema limitação, como se fosse limitado, com padrões preestabelecidos. A mente não é matéria. A luminosidade é sua força ativa. Portanto, precisamos entender que o coronavírus não nos confinou, apenas estamos tendo uma magnífica oportunidade de expandir nossa mentalidade, organizar e aprimorar nossas ideologias e costumes, atuarmos nas áreas intangíveis e ilimitadas da mente. Aprender a criar hábitos confiáveis e responsáveis. Desenvolver mentalidade de crescimento e maturidade emocional.

Iremos “vencer” o novo vírus, contudo seus outros primos virão. Só não sabemos quando, nem sua intensidade. Se o mundo priorizasse a equanimidade e distribuísse a abundância, metade dos nossos problemas seriam solucionados a curto prazo. O acúmulo de capital econômico/financeiro é tão absurdo — 1% da população mundial detém 82% da riqueza existente — que mais parece um conto de fadas: difícil acreditar em tamanha insensatez, sem maiores delongas. Enquanto isso, desperdiçamos trilhões de dólares com ações de contenção em relação a derrocada do PIB mundial, devido a arrogância e pretensão.

De fato, os movimentos preponderantes mundiais são estimulados por meio de venenos mentais chamados orgulho, egocentrismo e avidez que, por sua vez, produzem ausência de empatia e compaixão em profusão. Não conseguimos enxergar que o sentido da vida se baseia na alegria, equanimidade, compaixão e amor. Investimos quantias estratosféricas nas dispersões, quando deveríamos estar focados na concentração meditativa: há uma inversão latente e consciente de crenças, intenções e valores, consubstanciando ideologias carregadas de aversões e antíteses. É uma forma de consciência, inconsciente, contudo passível de dimensionamento e redirecionamento.

Niterói, 29 de março de 2020

Wilson M. Moura

Contato para palestras: news@wilsonmmoura.com

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Eu atuo como strategic thinker, palestrante, mentor e escritor, com o propósito de viabilizar pessoas e organizações a projetar estratégias de mentalidade de crescimento, maturidade emocional e a pacificação da mente, assim como otimizar metas e investimentos, vivenciar experiências transformadoras e de autorrealização.

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