O PAÍS DA CRIATIVIDADE

Wilson M. Moura Ξ August, 3rd 2019

Seria o Brasil o país da criatividade? Eu tenho a absoluta convicção de que se fossemos fazer uma enquete entre os 193 Países-membros da ONU, estaríamos liderando a lista. Temos uma enorme capacidade de inventar coisas, contudo sem qualquer consciência, discernimento, visão sistêmica ou resultantes que traduzam níveis de bem-estar e satisfação regulares, num enorme desperdício.

Desvirtuamos a racionalidade eficiente encontrada na Teoria da Burocracia de Max Weber e criamos a burocracia irracional e letárgica. Geramos os 3 Poderes que simbolizam, exclusivamente, jogos de poder. Implementamos e oficializamos as máfias dos cartórios, intocáveis, desde sempre. Concebemos as agências reguladoras que apenas desregulam, e a Lei Rouanet para beneficiar, única e exclusivamente, nossos eminentes e milionários artistas e intelectuais, que pouco auxiliam no aprimoramento da cultura brasileira.

Fizemos germinar o INSS, verdadeiro desprazer nacional. Originamos universidades públicas que, em sua grande maioria, não educam, ao contrário, são verdadeiros antros de politicagem e ausência de governança. Fomentamos a malandragem em detrimento da integridade. Do mesmo modo, proclamamos uma Constituição Federal alicerçada basicamente em direitos e ausência de deveres e responsabilidades cívicas.

Criamos agentes públicos como Lula, Temer, Bolsonaro, Sarney, Collor & Renan, Benedita da Silva, Cabral, Gleisi Hoffman, Gilmar Mendes, Lewandowski & Toffoli, Garotinho & Rosinha, Crivella, Aécio Neves, Jean Wyllys e outras tantas centenas que simbolizam o que há de mais estúpido nas Instituições públicas de todo o mundo.

O Brasil introduziu a “presidenta” Dilma e quase institucionalizou uma “vice-presidenta” comunista, sem contar a tacanhez da trilogia esquerda, direita e centrão. Também produziu ídolos como artistas, pastores, jogadores de futebol e Mc’s funkeiros, intitulados mestres de cerimônia, além da figura dos onipotentes ‘globais’, uma espécie de seres extraterrestres, egocêntricos e intangíveis.

Além do que, deixamos de copiar e adaptar as boas práticas internacionais, talvez a forma mais eficaz de criatividade, ignorando completamente os ensinamentos do químico francês Antoine Laurent de Lavoisier “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Não obstante, a criatividade brasileira é tão generosa que vem aprimorando uma nova língua. Sim, o povo brasileiro abandonou de vez o português, talvez a língua mais rica e criativa do mundo, resolvendo adotar o ‘portuguêsné’, numa combinação de avareza, letargia e preguiça: a cada 10 palavras, 3 ou 4 são ‘’. Ouvir uma conjugação verbal correta tornou-se motivo de elogio, quando deveria ser lugar-comum.

A expressão  é uma contração do advérbio não com é, forma do verbo ser na terceira pessoa do indicativo, usado sem qualquer necessidade semântica ou sintática. Seu uso continuado é um vício de linguagem que não deveria acontecer, onde se espera o mínimo de objetividade e discernimento linguístico, denotando o quão baixo é o nível cultural (crenças, intenções, valores e comportamentos) do nosso povo. Além disso, temos aqui uma evidente insegurança intelectual, pois o famigerado ‘‘ foi criado para se confirmar alguma coisa, em caso de dúvida. É um tremendo contrassenso quando utilizado numa frase afirmativa; um ótimo exemplo de confusão mental encontrado em todos os segmentos da população brasileira. Enfim, qual seria sua utilidade ou eficácia, além de embrutecer a mente?

Vivemos nos extremos do atraso mental e emocional, do estropício, raramente direcionados para uma mentalidade de crescimento, maturidade emocional e alta performance. Ou será que você está satisfeito com as circunstâncias vigentes? Teríamos nós um único critério nacional de excelência? O paradigma é a insensatez, que se manifesta amplamente por intermédio do arquétipo O4D2I: orgulho, desagregação, descomprometimento, dispersão, desorganização, indisciplina e irresponsabilidade.

Criatividade é um fator necessário de desenvolvimento, mas não deveria estar anexada à ignorância mental condicionada, essa sim, muitíssimo bem camuflada no Brasil varonil. Enquanto não batermos no peito e reconhecermos a ausência de pensamento crítico e inteligência emocional, continuaremos a propagar a expressão “O Brasil é o país do futuro”, vivenciando um status quo risível.

Necessitamos, inevitavelmente, transformar nossa ampla criatividade em efetividade, ou seja, produzir circunstâncias relacionadas ao bem-estar, alegria, equanimidade e prosperidade; condições de temperatura e pressão não nos faltam. Talvez nos falte vontade e coragem, visando transmutar a insensatez em sabedoria.

Niterói, 03 de agosto de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, escritor e mentor, especialista em tendências.

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