LOUCOS?

Wilson M. Moura Ξ December, 12th 2017

Há pouco tempo li um artigo do escritor Irvin D. Yalom. Com lucidez, o autor refletia sobre o autoconhecimento “gera ansiedade: é um tesouro terrível que temos”. De fato, convenhamos: disciplina, visão sistêmica, perseverança, integridade e paciência não são atitudes encontradas em qualquer esquina. Também pudera, ao praticá-las surgem inúmeras barreiras e nos depararmos com as incoerências cotidianas.

Vejamos como funcionam alguns dos costumes criados pelos Homens: as classes média e alta ignoram as classes menos favorecidas, que por sua vez elegem os políticos que, consequentemente, criam leis esdrúxulas que, por conseguinte, afetam as classes média e alta.

Por outro lado, a República nos oferece 3 Poderes num modelo tosco, completamente corrupto e omisso, com custos extorsivos, que influenciam os empresários que, por sua vez, extorquem todas as classes, inclusive a dos políticos, pois também são consumidores. É um processo cíclico que simboliza a antítese da inteligência: ineficaz e ineficiente. E a sociedade ainda diz que é moderna e busca o equilíbrio. Continuamos sem saber escolher os caminhos mais simples e benéficos, sem saber aplicar as leis universais da interdependência, impermanência e carma a nosso favor.

Mas também existe a possibilidade de estar ficando louco. Afinal, sei lá, aos 59 anos, tudo é possível. A gente tenta evoluir, buscar um caminho que desenvolva o discernimento e aí, vem a sociedade e rema contra você, teimando viver num mar de delusões (acredita, cada vez mais que as ilusões são verdadeiras). E você no meio da tempestade, que insiste continuar.

É, mas os anos passam e também adquirimos nossos costumes: comprometemo-nos na trilha da transformação do conhecimento. Porém, quando nos colocamos nesse processo rumo à onisciência, não dá para retroagir, ao contrário, fica mais fácil de praticar o discernimento, com tantos exemplos de ignorância ao nosso redor. Talvez eu necessite ler outros artigos do prof. Yalom; provavelmente ele tenha razão. Só me resta lembrar do mestre Albert Einstein, em uma de suas célebres expressões “Às vezes tenho uma questão que me deixa pensativo: sou eu ou os outros que estão loucos?”

Niterói, 12 de dezembro de 2017

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

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