LIBERDADE DE AÇÃO: EFETUANDO ESCOLHAS

Wilson M. Moura Ξ October, 26th 2017

A interação com o meio ambiente traduz um movimento contínuo de dar e receber. Produz experiências contínuas que devem ser apreendidas como oportunidades de aprendizado, como um exercício de liberdade de ação, de espontaneidade, onde se aceita as coisas virtuosas e se rejeita aquilo que não traz benefícios.

É como quando se ganha um presente de aniversário, onde existe a liberdade de guardá-lo ou não. Muitos são os presentes dados ou recebidos através da mente: alguns com boas intenções, outros destrutivos. A liberdade de ação consciente desenvolve a habilidade da escolha, facultando a necessidade ou não de receber presentes destrutivos, como, por exemplo, uma agressão verbal.

O incessante aspecto criativo da mente faz surgir novas experiências que se apresentam aparentemente livres de complicações, como uma reluzente nova ideia ou uma solução envolvente para um problema sem resposta. Todavia, quando a criatividade inconscientemente oculta outras coisas, formam-se impulsos, novos desejos, ou seja, emoções aflitivas camufladas. É como um truque de magia, uma sequência não revelada, onde uma ação oculta a outra, isto é, a delusão faz surgir um objeto de desejo, que quando aparece oculta o outro.

O problema é que não se consegue perceber esta ocultação, já que a excitação causada pelo surgimento de um novo objeto desvia toda a atenção da mente para si, dominando a situação: não se vê algo porque se vê algo, ou seja, quanto mais se vê, menos se vê. A ignorância mental condicionada gera ocultações a todo instante, sendo assim, possui uma relação implícita com as estruturas mentais condicionadas, uma espécie de teia que envolve as percepções, as emoções, os sentimentos, os pensamentos, e, só permitem que se veja através dela.

Desta forma, é necessário reconhecer as características destas estruturas, com suas virtudes e limitações, visualizando a plena liberdade que se pode alcançar através deste processo, já que todo processo possui liberdades, sendo passível de correções e autodirecionamentos. Qualquer processo de criação se relaciona com o seu objetivo, sendo possível utilizá-lo como uma ferramenta de flexibilidade, de liberdade mental, ou utilizá-lo como um fator gerador de complicações. Portanto, a questão chave é a forma de utilização da criatividade, que pode ser utilizada para diferentes fins. Existem ideias criativas que trazem aprisionamentos, assim como, ações criativas que propiciam liberdades conscientes de escolhas.

O processo de ocultação é a porta de entrada da experiência cíclica, assim como, o processo de criação pode ser a porta de saída. Neste ponto, a grande revelação diz respeito ao modo cognitivo sobre como se enxerga a porta, que de um lado denota a ignorância mental condicionada, e do outro, a sabedoria. Esta contemplação traz a clara visão sobre a noção de inseparabilidade: entrada e a saída são a mesma porta. A luminosidade da mente exibe cristalinamente, tal qual um espelho, a inseparabilidade entre sujeito e objeto, e utiliza a sua capacidade criativa para analisar com atenção este processo. Portanto, o discernimento é um fator de desenvolvimento fundamental, pois possibilita perceber a inseparabilidade dentro da aparência da dualidade. O objetivo é desenvolver a habilidade luminosa da mente para que se possa desfrutar da liberdade que é inerente a essa experiência que, usualmente, se apresenta oculta.

Niterói, 26 de outubro de 2017

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

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