IGNORÂNCIA MENTAL CONDICIONADA

Wilson M. Moura Ξ October, 21th 2019

A expressão mais adequada para se introduzir o conceito da ignorância mental condicionada é obtida na filosofia budista, por meio do termo sânscrito avidya: ‘vidya’ significa conhecimento e ‘a’ expressa negação. Avidya simboliza a negação ou ausência de conhecimento genuíno, uma espécie de cegueira mental, ou melhor, a ignorância que impossibilita a compreensão dos fenômenos da natureza como realmente são e, desta forma, é a causa raiz de todo o ciclo condicionado de sofrimento e suas delusões.

De ouro modo, poderíamos conceituá-la como a incapacidade ou inabilidade de compreender as coisas, a dimensão ignorante da mente, que se manifesta e percebe os fenômenos da natureza existindo por si só, inerentemente, de maneira independente, inibindo a visão sobre a impermanência e a interdependência de todos os fenômenos do universo, sobre as ações e suas consequências, assim como sobre a ilimitada natureza luminosa de si mesmo.

Avidya é uma manifestação de enorme riqueza da mente, pois é uma forma de energia que atua continuamente em todos os seres vivos. É como o poderoso bastão de um mago: a energia está lá, contudo, é preciso sabedoria para usá-la. Caso não seja acionada adequadamente, gera ciclos condicionados de sofrimento. Não se relaciona diretamente com a ignorância intelectual, já que uma pessoa pode não ter instrução educacional e se comportar de maneira sábia; por outro lado, existem eruditos que se comportam de maneira completamente ignorante.

É importante salientar que a formação intelectual só passa a gerar benefícios sustentáveis a partir do momento em que é aplicada nas ações cotidianas, com sensatez; desenvolver fatores como coerência, memória diligente, introspecção, contemplação e ponderação, que atuariam como fonte de inspiração e sabedoria, propiciando uma base de sustentação quando nos deparamos com a própria ignorância.

De fato, o entendimento sobre o conceito e a forma com a qual a ignorância mental se manifesta é uma descoberta preciosa, que possui o poder de revolucionar nossas próprias ideologias e comportamentos. A despeito das nossas resistências, e certamente muitas dúvidas, é fundamental conceber e aceitar a hipótese de que o comando de ignição do nosso sofrimento está atrelado a nós mesmos, numa significativa mudança de filosofia de vida, de forma consciente.

A incapacidade de compreender os fenômenos como são faz com que não consigamos assimilar corretamente as regras elementares da natureza, e gera incompreensão sobre o que somos (mente de natureza intangível e ilimitada) e o que estamos (corpo físico material com início, meio e fim).

Assim, essa manifestação de ausência de conhecimento, que podemos chamar de ignorância mental condicionada, transcorre através de duas dimensões codependentes: as percepções delusórias dos fenômenos, que se manifestam por intermédio das delusões, e um mecanismo de criação e ocultação entre sujeito e objeto, gerando experiências segregadoras, além de uma estruturação mental dependente que ordinariamente chamamos de ‘eu’. Temas para os próximos artigos.

Assim como o universo de manifesta através dos polos opostos, negativo e positivo, a mente transita entre manifestações de sabedoria e ignorância mental condicionada. Portanto, a vida nos oferece oportunidades ilimitadas para transformar os polos da mente. Basta escolhermos propósitos de aprendizado constante, cônscios de que um dos significados da vida é entender que escuridão e luz são uma coisa só, passíveis de transmutação a todo instante. Só nos resta praticar o livre arbítrio e efetuar escolhas, conscientes e virtuosas.

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, mentor, escritor e mestre em meditação, especialista em mentalidade de crescimento e pacificação da mente.

Mais sobre mim
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Fator Zen - Um Convite à Paz Interior

Informe-se sobre o conteúdo do livro e receba-o em casa, autografado.

Deixe uma resposta