HIERARQUIA DAS NECESSIDADES HUMANAS

Wilson M. Moura Ξ September, 18th 2019

Em relatório publicado em janeiro de 2019, a OXFAM Internacional, com sede na Inglaterra, nos ofereceu um quadro global sombrio e avassalador. O texto evidencia que a economia mundial está falida, com centenas de milhões de pessoas vivendo na extrema pobreza, enquanto quem está no topo recebe enormes recompensas. O número de bilionários duplicou desde a crise financeira de 2007-08 e suas fortunas cresceram USD 2,5 bilhões por dia, mas os super-ricos e as grandes empresas estão pagando o menor nível de impostos em décadas.

Os custos humanos – crianças sem professores, unidades de saúde sem medicamentos – são imensos. Serviços privados fragmentados punem os pobres e privilegiam as elites, e as mulheres são as que mais sofrem, pois têm que compensar a falta de serviços públicos com muitas horas de trabalho de cuidado não remunerado.

O relatório ainda enfatiza que precisamos transformar nossas economias para proporcionar saúde, educação e outros serviços públicos universais. Para que isso seja possível, as pessoas e as empresas mais ricas devem pagar uma parcela justa de impostos, o que levará a uma grande redução do fosso entre ricos e pobres e entre mulheres e homens.

Portanto, não nos é difícil entender que enquanto a evolução tecnológica avança exponencialmente, o desenvolvimento da maturidade emocional caminha no sentido contrário. Via de regra, a sociedade global é movida pelos jogos de poder que, consequentemente, produzem um mecanismo contínuo, geral e irrestrito de falsidade e hipocrisia.

Objetivos e metas são traçados sem amor, compaixão, empatia e equanimidade, onde as prioridades sociais são fundamentadas na tríade aversão, insensatez e estupidez. É como se jogássemos no lixo a brilhante Teoria da hierarquia das necessidades humanas estabelecida pelo psicólogo humanista Abraham Maslow, desde 1954. Afinal, segurança, amor, relacionamentos saudáveis, autoestima e realização profissional não vêm sendo escolhas hegemônicas ou predominantes.

Líderes totalmente despreparados, muitas vezes desequilibrados, comandam grandes massas que, por sua vez, demonstram ampla confusão mental, inúmeras dispersões e altas doses de letargia e preguiça mental. Temos aqui um evidente paradoxo entre educação e cultura, já que a maioria dos Estados ricos não produzem riqueza mental, emocional e espiritual. Como gerar valores, crenças e atitudes direcionadas para a quietude mental e pacificação da mente?

Temos um desequilíbrio latente entre ignorância e sabedoria, numa sociedade que, de fato, não sabe o que quer, não sabe transformar informação em conhecimento ou interpretar um texto, além de não praticar comportamentos coerentes, perambulando a céu aberto como baratas tontas.

Necessitamos, urgentemente, aprender a reconhecer nossas imperfeições, e isso se faz por meio do autoconhecimento, disciplina e das inteligências emocional e cognitiva. Mas será que o orgulho permitiria tamanha audácia?

Niterói, 18 de setembro de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, mentor, escritor e mestre em meditação, especialista em tendências.

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