DOS CIDADÃOS À CIDADANIA

Wilson M. Moura Ξ October, 31th 2019

Noutro dia tive um sonho formidável. Sonhei que vivia num país em outro planeta, com dimensões continentais, gigante pela sua própria natureza. De fato, no seio de sua sociedade, não havia qualquer forma de confusão, preguiça mental ou inércia. As pessoas dialogavam sobre qualquer assunto e, logicamente, haviam adquirido competências para tanto.

Lá todos os seus cidadãos possuíam plena consciência das suas responsabilidades cívicas (individuais e sociais), além de perfeito entendimento sobre temas fundamentais como formas de Estado, de governo e suas origens, sistemas políticos de poder e de poder com intermediação: deveres & direitos sempre foram analisados e ponderados. Sempre participavam das decisões públicas relevantes e criavam regras inteligentes para que os possíveis candidatos a cargos públicos fossem preparados e competentes.

Com isso, estabeleceram a democracia como sistema de governo, imbuída de pleno embasamento filosófico e prático, permitindo que a maioria, totalmente preparada, decida seu destino usualmente em consonância com o discernimento. É bem verdade que uma significativa parte clamava pelo socialismo e, uma outra, quase que insignificante e muito infeliz consigo mesma, exigia que o sistema deveria ser a ditadura. Importante ressaltar que essa diminuta parcela ansiava por uma espécie de ditadura na qual pudessem usar os laptops e smartphones da Apple, usar terninhos de grifes e visitar os melhores museus do mundo, duas vezes por ano. Sim, sem sombra de dúvidas, era um povo bem criativo.

De outro modo, instituíram regras constitucionais transparentes e sábias, permitindo que seus agentes públicos políticos só se elejam quando apresentam competências inerentes, remunerações compatíveis com o salário mínimo nacional, respondam às leis civis, como qualquer cidadão, e sem qualquer poder para indicar cargos públicos. O poder judiciário é extremamente célere, não pratica a injustiça e nega-se, veemente, a práticas como leniência, permissividade, falsidade, hipocrisia e falta de transparência.

A políticas públicas de segurança pública são peremptoriamente direcionadas para médio e longo prazo. Lá, não existem desigualdades sociais. A população mais carente é plenamente cônscia e só produz filhos quando possuem condições financeiras/econômicas para mantê-los. Todos se conscientizaram que as contas públicas só se equilibram quando a proporção contribuintes x não contribuintes é equânime.

Naquele país, a língua adotada é riquíssima (verbal, linguística e morfologicamente), e a população a utiliza com o máximo proveito, conjugando os verbos nas respectivas pessoas, sem se deixar influenciar por redundâncias ou o uso de diminutivos desnecessários como “a gente”, “né”, etc.

A cultura estabelecida é de plena paz interior, sem qualquer forma de agressividade, insensatez, incoerência, rancor ou ódio, influenciando o sistema educacional por meio de valores, crenças e atitudes virtuosas.

E, então, de repente, o dia amanheceu e os primeiros raios solares penetraram pela janela. Acordei…

Niterói, 31 de outubro de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, mentor, escritor e mestre em meditação, especialista em mentalidade de crescimento e pacificação da mente.

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