DESIGUALDADE SOCIAL

Wilson M. Moura Ξ September, 17th 2018

Durante o Fórum Econômico Mundial 2018 em Davos, Suíça, a ONG britânica Oxfam publicou o relatório “Recompensem o trabalho, não a riqueza”, com dados que evidenciam o tamanho da concentração de renda e desigualdade social em todo o mundo. Em 2017, 82% da riqueza gerada no mundo concentrou-se nas mãos de 1% da população mundial. Ao mesmo tempo, a metade mais pobre, que equivale a 3,7 bilhões de pessoas, não ficou com nada: uma em cada três pessoas no mundo vive na pobreza.

A Oxfam indica que há 2.043 pessoas no grupo dos bilionários do mundo, um recorde histórico, sendo um a mais a cada dois dias; o crescimento seria o suficiente para acabar sete vezes com a pobreza extrema do planeta. Também aponta que a geração de empregos decentes está diminuindo, quando deveria ser um mecanismo capaz de reduzir a desigualdade social. Além disso, algumas nações estão regredindo em questões como proteção trabalhista.

Como informação complementar, o ‘World Inequality Lab’ publicou seu primeiro relatório, em dezembro de 2017, indicando que no Brasil, a camada 1% mais rica incorpora 28% de toda a riqueza existente; 23% da população ganha um salário mínimo. Os dados apontam uma desigualdade social maior do que a constatada nas regiões do Oriente Médio, Europa Ocidental, Estados Unidos e África do Sul. É sempre bom lembrar que o PIB brasileiro em 2016 foi de 1,7 trilhão de dólares (aproximadamente R$ 5,7 trilhões), evidenciando que nosso problema não é falta de dinheiro, e sim ausência de eficiência, eficácia, efetividade e competência.

O Legislativo afirma ter soluções para os problemas, porém pouco ou quase nada fazem; só tratam dos subterfúgios, dos expedientes paliativos. Raramente lidam com questões-chave. Vivem em função de bancadas restritivas e partidárias: evangélica, empreiteiras e construtoras, familiares políticos, da bala, ruralistas, sindicalistas, futebol, etc. Deveras, existem quase 70.000 políticos eleitos no Brasil, em apenas 26 Estados, 1 Distrito Federal e 5.570 municípios. Imaginem a quantidade de assessores e agregados em repartições públicas sem qualquer qualificação; certamente temos mais de 400.000 espalhados através do país. Assim sendo, há aproximadamente 500.000 indivíduos sustentados pelo povo brasileiro, protegidos sob o agasalho de uma redundante e paradoxal democracia, produzindo efeitos insignificantes e custos arrogantes.

O Executivo executa mediocridades constantemente, já que seus membros são provenientes do Legislativo ou indicados por políticos sem qualquer escrúpulo ou indício de intenções genuínas, conhecimentos específicos, habilidades e comportamentos em benefício da coisa pública. Governam com base na sovinice, incessantemente, numa profusão inesgotável de negociatas (jogos de poder) para justificar o injustificável.

Os membros do Judiciário deveriam estar lá para ocasionar justiça, mas, de fato, provocam injustiça com extrema lentidão nos processos, privilégios para os ricos, tratamento desigual nos tribunais e nas prisões, elevada corrupção, corporativismo, polpudas remunerações e aposentadorias irracionais e absurdas.

No aspecto cultural, temos uma abundância no que diz respeito a ausência de visão sistêmica, metas e propósitos. O povo brasileiro é confuso, letárgico, altamente disperso, e muito irresponsável, com motivações supérfluas e religiosas, porém pouco concentrado na espiritualidade. Infelizmente, os movimentos religiosos não unem, não se adaptam, ao contrário, produzem inúmeras discórdias entre si, numa clara exibição de falta de respeito e prepotência, mesmo tendo uma Constituição Federal cujo art. 5º, VI, explicite sermos um Estado laico.

Vemos nitidamente, no seio da população, um elevado conjunto de sentimentos aflitivos como orgulho, desagregação, descomprometimento, indisciplina, desorganização e irresponsabilidade, antíteses dos fundamentos espirituais, que enfatizam aspectos como consciência, discernimento, paciência, empatia, disciplina, flexibilidade, firme determinação, respeito aos outros, humildade, integridade, diálogo e responsabilidade. O foco não é a cidadania, mas sim o egocentrismo e, por consequência, a ausência de empatia. Reclama-se, com agressividade, quando o peso cai sobre o próprio pé, ignorando-se totalmente quando o problema é com o vizinho: compaixão é um valor renegado a segundo plano, usualmente. A realidade é nua e crua, mas precisamos aprender a enxergá-la e a transmutá-la.

Logicamente, ninguém gosta de sofrer, mas enquanto não fizermos nosso homework rumo ao autoconhecimento, num movimento de dentro para fora, dificilmente teremos um desenvolvimento equânime e próspero. É um exercício frutífero, capaz de transformar os insípidos modelos culturais existentes. Afinal, se temos todas as condições de ordem e progresso em pleno século XXI, por que ainda somos subdesenvolvidos?

Niterói, 17 de setembro de 2018

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

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