CORAGEM QUE TE QUERO VER-TE

Wilson M. Moura Ξ September, 22th 2017

Quando as forças de segurança do Estado do RJ iniciaram o programa das Unidades de Polícia Pacificadora em 2008 eu achei que haveria uma enorme probabilidade de insucesso. Por quê? Por que não evidenciaram o cerne da questão por intermédio de políticas educacionais efetivas, controle de natalidade e, principalmente, a solicitação de contrapartidas sociais por parte dos moradores locais. Apenas anunciaram, com antecedência, que iriam tomar as favelas, alertando explicitamente os delinquentes para que pudessem migrar para outras favelas menos protegidas: “Atenção, nobres bandidos, fujam para outros lugares pois nós vamos invadir determinados locais”. Nove anos são passados e o projeto desmantelou-se completamente, numa explícita obviedade. Uma enorme energia dispendida e alto investimento com pequeníssimo retorno: exemplo de ineficiência, ineficácia e inefetividade do Estado.

Existem aproximadamente 800 favelas no município do Rio de Janeiro. São quase 2,5 milhões de moradores, representando 25% da população. Em Niterói, cidade com um dos IPTU’s mais caros do país, os dados estatísticos são imprecisos, mas com base no bom senso, não nos é difícil prever a existência de mais de vinte comunidades carentes, impactando 20% da população total, ou seja, umas 100.000 pessoas. Existem pontos em comum em ambas as cidades: a distribuição das comunidades nas quatro direções, o crescimento desenfreado, a irresponsabilidade geral e irrestrita e o exponencial aumento da violência urbana.

Estamos diante de um problema insolúvel a curto e médio prazos, com tendências assustadoras de longo prazo. A solução passa por inúmeros temas complexos. Questões preconceituais religiosas, impedindo o controle natalício. Políticas públicas pífias com ampla distribuição de regalias inúteis, sem a indicação de caminhos para que os menos favorecidos aprendam a andar por conta própria. A “educação” é voltada para o mais fácil, não para a aprendizagem. Dá-se algo, mas não se solicita algo em troca, isto é, as pessoas menos favorecidas são tratadas como ‘coitadinhas’, como se não tivessem a capacidade de efetuar ações efetivas e crescer. O poder público planta, voluntariamente, uma simbiose perversa e psicótica de alienação e dependência eterna. Além disso, concebemos e nos conformamos com uma ampla maioria de políticos sem qualquer competência específica; por dedução lógica, nunca teremos condições decentes de vida, resultando numa população orgulhosa, desorganizada, irresponsável, desagregada, dispersa, indisciplinada e descomprometida. Não adianta espernear ou ficar com raiva: é necessário fazer um exercício consciente e efetivo. Esses sentimentos aflitivos do nosso DNA nunca estiveram tão expostos.

Quanto mais conseguirmos observar nossas imperfeições, mais nos aproximamos das soluções. Quais são nossas alternativas? Ou aprendemos pela consciência ou pela consequência. Em qualquer circunstância, é preciso ter coragem para ver o que não queremos enxergar.

Niterói, 22 de setembro de 2017

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

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