CONCILIANDO CONSERVADORES, INERTES E DITADORES

Wilson M. Moura Ξ June, 10th 2019

Os arquéticos, ideologias e costumes praticados pela sociedade são tão insensatos e paradoxais que me levam a refletir sobre como permitimos chegar a tantos problemas. Em sua maioria, a população se divide entre conservadores, extremistas e inertes, introduzindo soluções baseadas em paliativos, longe de consubstanciarem resultados efetivos. Esse cenário quase que patético é perfeito para praticarmos a criatividade e inovarmos com ponderação e simplicidade. E onde entram os ditadores? A palavra ditador é originária do latim dictare, “dizer repetidamente”, ou dicere, “dizer, falar, contar”. Na antiga República Romana, um ditador não era necessariamente uma pessoa autoritária e despótica, exercendo um cargo similar a um magistrado por um período determinado, na forma de prevenir arbitrariedades contra as instituições nacionais. Portanto, era uma figura necessária.

Reis e imperadores não eram ditadores, pois suas posições familiares e/ou hierárquicas já lhes concediam poderes absolutos, legais e discricionários: ou seja, deitavam e rolavam. Com o decorrer do tempo, e talvez com inveja dos imperadores, os ditadores profissionais passaram a articular ações visando poder popular eterno e fama, abdicando de ações como bem-estar social, empatia e equanimidade. E aí chegamos ao século XXI, quando privilegiamos um sistema de governo que chamamos de democracia, vinculando agentes públicos para nos representar. Contudo, não adotamos e exigimos ações como competência, sensatez e moralidade, aspectos totalmente ausentes no cenário nacional, fazendo com que tenhamos uma conjuntura de corrupção sistêmica e extremo desequilíbrio social. De fato, nossa democracia é uma firme delusão, uma espécie de baralho manipulado por um mecanismo onde trocam-se os naipes, mas o resultado do jogo nunca é alterado.

Soluções? Sempre existem e, necessariamente, passam pelo exercício da visão sistêmica, integridade e, principalmente, a disciplina, sem a qual nos é impossível realizar metas e estabelecer estados de contentamento e paz interior. Mas, e se tivéssemos um ditador sábio, direcionado para a prosperidade geral e irrestrita? Como sonhar não custa nada, confesso a minha vontade de exercer a inflexão ditatorial e ditar regras, repetidas vezes.

Sendo assim, eu queria ser um rei e decretar que os governos federal, estadual, distrital e municipal teriam as seguintes atribuições: regulação, educação (da creche ao terceiro grau), segurança, saneamento básico, infraestrutura e saúde integral, incluindo assistência médica, internações, remédios, fisioterapias, etc. Os serviços públicos seriam gratuitos e de altíssima qualidade para todos os cidadãos, pois são necessidades básicas do ser humano. Nota-se que aposentadoria não é um dever do Estado, e sim de competência exclusiva de cada cidadão. Os cidadãos necessitam aprender a planejar, poupar e controlar seus ganhos e despesas, além de se responsabilizarem pelo futuro.

Eu queria ser um ditador e decretar que todos os membros dos 3 Poderes seriam obrigados a prestar concurso público, sem remunerações adicionais, reembolsos, indicações, contratações ou qualquer outra benesse. Além disso, teriam que trabalhar 44 horas/semanais, com metas explícitas e tempo máximo para resolução das tarefas.

Eu queria ser um soberano e instituir um imposto único, com alíquota de 40% sobre todas as transações comerciais, financeiras, econômicas ou de qualquer espécie, visando financiar as despesas públicas.

Eu queria ser um árbitro e decretar que todos os cidadãos seriam obrigados a organizar concílios públicos mensais para tratar das suas próprias incoerências e desordens, decidindo suas prioridades, custos e investimentos locais.

Eu queria ser um ditador e deliberar que temas como filosofia, inteligência emocional, planejamento estratégico, assertividade, pensamento crítico, criatividade, música, meditação, eficácia e eficiência seriam cadeiras relevantes e compulsórias durante os ensinos médio e fundamental, com turno integral.

Eu queria ser um comandante e firmar uma regra elementar no Estado, onde crimes contra o erário público ou o meio ambiente teriam penas mínimas de 20 anos, sem direito à fiança, redução de pena ou qualquer outra vantagem. Ademais, o condenado teria que trabalhar para se manter na prisão, visando pagar os custos inerentes.

Eu queria ser um disciplinador e estabelecer que o valor do salário mínimo seria de R$ 3.000,00. As regras remuneratórias dos agentes públicos aconteceriam na proporção máxima de 1:10, isto é, a maior remuneração no setor público seria 10 vezes superior a menor. Logicamente, os cargos de direção e assessoramento superior (DAS), assim como as funções gratificadas (FG), teriam fim. Com isso, teríamos uma distribuição de renda mais equânime e reduziríamos significativamente os níveis de ciúme, inveja, hipocrisia, avidez, falsidade, etc., além de automaticamente desenvolver a empatia, alegria, compaixão e amor.

Pensando bem, parafraseando Fernando Pessoa, querer não é poder e, além disso, não sou um ditador. Mas bem que gostaria de sê-lo, afinal quem vai acabar com a ignorância reinante no país dos raios fúlgidos, onde a imagem do cruzeiro resplandece? Tá bom, tá bom, paciência: aguardemos pelos próximos 519 anos!

Niterói, 10 de junho de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

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