ANSIEDADE: CAUSAS, SINTOMAS E SOLUÇÕES

Wilson M. Moura Ξ October, 14th 2019

A ansiedade é uma propriedade biológica do ser humano, que aflora como resposta a uma ameaça desconhecida; uma reação natural preventiva contra situações potencialmente danosas, para que se possam tomar medidas de adaptação ou mudança. Ela nos coloca em posição de alerta, física e psiquicamente: provoca a dilatação das pupilas, acelera a pulsação cardíaca, distribui o sangue para a musculatura voluntária, aumenta a glicose circulante e dilata os brônquios, dentre outras reações fisiológicas.

Porém, a ansiedade não é um estado normal do organismo e, sim, uma reação usual a determinado prenúncio, assim como a febre é uma reação usual a uma infecção. Analogamente, a ansiedade é uma reação comum para um bebê que se sente ameaçado se for separado da mãe, uma criança que se sente desprotegida e desamparada longe dos pais, um adolescente no primeiro encontro com a pretendente, um adulto quando entra num avião ou qualquer pessoa que enfrente uma doença. A tensão oriunda da ansiedade pode gerar comportamentos indesejados sem, com isso, se tratar de uma ansiedade patológica.

A ansiedade nos acompanha durante o crescimento, nos processos de mudança, na experiência de algo novo, enfim, nos momentos supostamente ameaçadores. Por isso, as reações normais de ansiedade não precisam ser tratadas, pois elas são autolimitadas. O ser humano primitivo manifestava sua ansiedade numa relação diretamente proporcional à autopreservação e ao medo, especificamente dirigido a um objeto ou a situações delimitadas no tempo e no espaço, ou seja, o perigo e a ameaça estavam, de fato, ali, num determinado lugar e momento. Os animais também experimentam ansiedade, que os prepara para a fuga ou para a luta, pois estes são os meios de se preservarem.

A complicação teve início no momento em que começamos a viver num mundo que exigia cada vez mais, colocando a ansiedade como instrumento de existência, com seu amplo leque de circunstâncias quantitativas e não qualitativas, não a serviço da nossa sobrevivência, como anteriormente. Então, a ansiedade subiu alguns degraus e passou a ser causa de distúrbios, porque não conseguimos nos adaptar e nos transformar internamente; tornou-se uma expressão sintomática dos conflitos emocionais, podendo ser também uma resposta desproporcional aos estímulos externos.

O modelo de vida praticado pela sociedade contemporânea estabeleceu um padrão de preocupação e ansiedade frequente, anexando ao cotidiano diversos novos componentes aflitivos, caracterizados por circunstâncias impermanentes, dispersivas e outros agentes angustiantes que nos levam a produzir causas e consequências de forte contaminação psíquica e fisiológica, ilustradas por meio da ansiedade patológica, também chamada de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Esse movimento cerceia a capacidade de reflexão, de fazer as coisas certas de maneira certa, com qualidade de vida.

Temos um leque muito variado de sintomas significativos, repleto de exemplos comuns: ansiedade para acender um cigarro, comprar objetos de consumo, perder peso, formatar um ‘novo corpo sarado’, implantar enxertos sintéticos, acessar mídias sociais a cada cinco minutos para se sentir sempre acompanhado, e por aí vai. O modelo de vida atual é ansioso, alicerçado em desejos condicionados, numa relação paradoxal com expectativas de bem-estar e felicidade. Com isso, a ansiedade subiu de patamar e, em vez de se relacionar unicamente com situações hostis, passou a se aliar com várias outras formas de apego, gerando crescente círculo vicioso.

Nesse contexto, há dois aspectos sutis de análise. O primeiro estrutura-se, ora nos objetos materiais, ora nas outras pessoas, num movimento constante que valoriza a busca de fora para dentro; não há a compreensão de que a felicidade é uma perspectiva da mente e não se relaciona com fatores externos. O segundo aspecto é muito mais sutil e faz alusão à percepção temporal. Há preocupação excessiva com o futuro, que gera o estabelecimento de metas de curtíssimo prazo. Surge a expectativa do êxito na obtenção do objeto de desejo e, com ela, o medo de não conseguir o resultado esperado.

O medo, então, aciona as dúvidas negativas, bloqueando a capacidade de agir, o que gera frustração, insegurança e baixa autoestima, já que a pessoa passa a se sentir incapaz. Lembranças enraizadas, impulsos reprimidos ou emoções aflitivas provocam ansiedade por serem situações ameaçadoras, num processo de ações incessantes inconscientes que geram consequentes alterações emocionais. Sendo assim, a ansiedade também se relaciona diretamente com o medo, no sentido de que produz dúvidas negativas sobre o desenrolar dos acontecimentos. A pessoa ansiosa, de fato, sente muito medo e, em seu inconsciente, fica imaginando como tudo poderá acontecer.

Sendo assim, é fundamental compreender o mecanismo da ansiedade e descobrir um meio de lidar com ela. Um dos segredos para ajustar sua intensidade é analisar a qualidade dos nossos desejos, passando pela distinção das necessidades genuínas. Logicamente, esse entendimento se conecta com os valores individuais, as ações que devemos tomar para alcançar nossos objetivos, assim como com a necessidade de adequar os desejos à realidade.

A ansiedade está diretamente relacionada com as preocupações, frustrações, medos e todos os seus efeitos, além da percepção temporal (passado e futuro). Por isso, é muito importante focar o momento presente, visando estabelecer planos de ação conscientes e sensatos. Qualquer desvio da circunstância atual gera preocupações, desviando a atenção para algo que ainda não aconteceu, com consequente perda de tempo e desperdício de energia. O resultado é sempre consequência inexorável da mudança de atitudes e comportamentos no momento presente. Logo, torna-se relevante entender melhor a questão temporal, assunto para um próximo capítulo.

Niterói, 14 de outubro de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, mentor, escritor e mestre em meditação, especialista em mentalidade de crescimento.

Mais sobre mim
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Fator Zen - Um Convite à Paz Interior

Informe-se sobre o conteúdo do livro e receba-o em casa, autografado.

Deixe uma resposta