AMARRAR O BODE

Wilson M. Moura Ξ January, 15th 2018

Vivemos frequentemente nos deixando levar pelas emoções, sentimentos, costumes morais e culturais sem, contudo, tentar entendê-los, nem sequer adaptá-los. Por que tanta insensatez? Talvez tenhamos a crença de que os fenômenos existam por si só, numa delusão onde as consequências surjam sem causas precedentes. E aí, como não buscamos investigar os processos causais do cotidiano, ficamos agressivos, sob os efeitos de maus humores, ou, como diz o ditado popular ‘amarramos o bode’. Mas, a ação de amarrar o bode pela irá fazer com que nossos problemas acabem? Como lidar com os obstáculos?

O renomado cientista francês Wilfried Fritz Pareto, conhecido como Vilfredo Pareto, mudou-se desde cedo para a Itália onde estudou engenharia, sociologia, economia e ciências políticas. Afirmava que o Homem não é um ser racional, mas um ser que raciocina tão somente. Frequentemente este Homem tenta atribuir justificativas pretensamente lógicas para suas ações ilógicas, deixando-se levar pelos sentimentos.

No ano de 1897, Pareto analisou os padrões de riqueza e renda na Inglaterra e constatou que a maior parte da riqueza estava nas mãos de poucas pessoas. Porém, o que chamou sua atenção foi um padrão, uma relação matemática entre a proporção de pessoas e a renda recebida, cujo fracionamento da riqueza não se dava de maneira uniforme: grande concentração de riqueza (80%) estava nas mãos de apenas 20% da população. Posteriormente, este estudo estatístico viria a se tornar conhecido como Lei de Pareto ou Princípio 80/20.

Esse paradigma é amplamente aproveitado nos dias de hoje, por meio das ferramentas de gestão pela qualidade total: 80% dos gargalos são resolvidos priorizando-se 20% deles. Com base nesta circunstância, é possível expandir este raciocínio para a resolução dos transtornos cotidianos. O pressuposto por trás dessa análise é que, para a maioria dos fenômenos, 20% das causas comuns geram 80% dos efeitos de um sistema. Traduzindo, 20% das nossas ações geram 80% das nossas tormentas.

O objetivo deste exercício é identificar e priorizar as dificuldades principais, ou seja, 20% das nossas crenças, intenções, valores e comportamentos que, por sua vez, produzem 80% dos efeitos danosos na vida. Identificando as causas de forma consciente, geramos as circunstâncias para eliminar as consequências (problemas). De fato, é um sábio exercício sobre o nosso carma, um planejamento explícito sobre o que fazemos ou deixamos de fazer, além de ser um genuíno movimento para semear metas e objetivos eficazes.

Portanto, se você está cansado de amarrar o seu bode, faça um projeto de vida, identificando conscientemente a relevância dos 20/80. Elabore um diagrama de causa e efeito para iluminar as ideias e gerar competências, visando determinar o que está impedindo a melhoria do seu desempenho ou restringindo sua evolução. Certamente, você concluirá que a vida é muito mais simples do que você imagina.

Niterói, 15 de janeiro de 2018

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

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Este post tem 2 comentários

  1. Leda Bottino

    Texto excelente!!!! Devemos refletir sobre onde amarrar nosos bodes!!!!
    Abs, Leda Bottino

    1. Wilson M. Moura

      Agradeço pelas palavras, Leda.

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