AGENTES PÚBLICOS, POLÍTICOS

Wilson M. Moura Ξ October, 5th 2018

A classe política nos oferece um amplo material para exercitarmos o pensamento crítico e o senso de coerência. O modelo de sociedade em que vivemos transmite a responsabilidade das decisões aos agentes públicos políticos. Nossa Constituição Federal de 1988 consagra o exercício de poder por meio da democracia representativa, ou seja, exercício indireto através do Princípio da Representação: deputados, senadores e vereadores. E também da soberania popular, exercício direto, exercida através do sufrágio universal (direito de voto) e o do voto direto e secreto. A CF/88 ainda considerou algumas hipóteses de exercício direto de soberania popular por intermédio do plebiscito, referendo, ação popular e projetos de iniciativa popular.

Tudo muito bonito, codificado, normatizado, pronto para exibir ao mundo, de acordo com as prerrogativas do sistema político escolhido: democracia. Contudo, a CF/88 não previu, em nenhuma circunstância, que o exercício de poder deveria ser exercido por indivíduos competentes, isto é, não estabeleceu as competências necessárias para que os agentes públicos pudessem exercê-la com qualidade: quais seriam os conhecimentos, habilidades e comportamentos específicos?

Do outro lado da moeda, em nome da democracia, explicita que o voto é direito de qualquer cidadão a partir de 16 anos, mesmo que não possua um grau mínimo de lucidez ou de alfabetização. Os eminentes constituintes não consideraram o fato de que 70% da população brasileira não sabe interpretar um texto, além de apresentar alto grau de desorganização, dispersão, desagregação, descomprometimento, indisciplina e irresponsabilidade. Ou será que intencionaram considerar esses aspectos?

Resultante: qualquer analfabeto pode se candidatar, eleito por qualquer cidadão que ignora o alfabeto, maioria absoluta. Não há critérios sábios que ativem o trio eficiência, eficácia e efetividade, necessários para o desenvolvimento consciente de qualquer país.

Neste sentido, fui atraído a efetuar uma análise mais sutil das características apresentadas pelos nossos agentes públicos políticos ao longo dos últimos 60 anos. Na realidade, há uma forte tendência rumo às atitudes falsas e hipócritas, qualidades incondicionais na carreira política e, sendo assim, não nos é difícil enquadrá-los em 5 categorias distintas, de acordo com determinados sentimentos aflitivos: falsidade e hipocrisia; confusão mental, inconsciência, intolerância e egoísmo; ciúme, inveja e avidez; agressividade, arrogância, rancor e ódio; irresponsabilidade, crueldade e malevolência.

São aspectos aflitivos integrantes do cotidiano, que funcionam como uma regra básica e automática: “Love me or leave me/Ame-me ou deixe-me”. Os profissionais da política conhecem as falcatruas e artimanhas do métier e nada ou pouco fazem: empregam suas proles partidárias, embolsam suas dezenas de benesses, recebem inúmeras mordomias, legislam em benefício próprio, etc. Justificam-se com base na legalidade, desenhada por eles mesmos, jamais na moralidade ou coerência cívica.

Como consequência disso, as demais emoções aflitivas florescem como que num passe de mágica, pois todas as condições de temperatura e pressão se fazem presentes. A confusão mental e a inconsciência se manifestam e desencadeiam uma complexa sequência comportamental, culminando nos políticos que, movidos pela avidez e ódio, agem com crueldade e malevolência. Produzimos um processo de condicionamento mental humano, fácil de ser encontrado na história da humanidade.

De fato, se cada indivíduo visasse desempenhar o papel de cidadão e exercesse sua responsabilidade, teríamos uma qualidade de vida extremamente mais rica, gastaríamos muito menos esforço para viver e chegaríamos a conclusão de que os políticos são totalmente desnecessários. Mas isso é um mero devaneio meu. Pronto, acordei!

Niterói, 5 de outubro de 2018

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, escritor e mentor, especialista em tendências.

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