A ERA DA FALSIDADE E HIPOCRISIA

Wilson M. Moura Ξ August, 26th 2019

Estamos a vivenciar um período de grande histeria e confusão mental na sociedade internacional. Consciência, discernimento, visão sistêmica e maturidade emocional são aspectos longínquos, onde a tecnologia avança num crescimento exponencial, assim como as doenças e distúrbios mentais.

A Organização das Nações Unidas possui 193 Estados-membros contudo, ao investigarmos com carinho, não chegamos a 25 países em condições razoáveis de cidadania e modernidade, ou seja, apenas 13% do total. A resultante não poderia ser outra além de um monumental desequilíbrio social, onde 1% da população detém 82% da riqueza mundial, em pleno século XXI.

Aqui entre nós, a humanidade demonstra grande incompetência, pois levou uns 8.000 anos para atingir uma circunstância de ampla discórdia, ausência de compaixão e, consequentemente, de empatia. É incompreensível que os diversos setores da sociedade não priorizem e focalizem esse dado estatístico, soberbo e inabalável.

Mas como sabemos que todas as consequências possuem suas causas, temos um momento mais do que propício para efetuar um pensamento crítico e ponderar sobre as sutilezas e artimanhas da falsidade e hipocrisia, atores fundamentais no processo quase que unânime desse processo delusório.

Conceitualmente, a falsidade (mentira) é uma ação com raízes profundas norteadas pelo tripé ‘ações incessantes condicionadas’, ‘egocentrismo’ e ‘orgulho’. Emerge a partir de um desejo consciente de se beneficiar, tirando proveito dos outros. É fingir qualidades positivas ou conhecimento sobre algum objeto em particular, em consequência de forte apego a virtudes desejadas e não desenvolvidas, ou por causa de objetos materiais não obtidos.

A falsidade possui um aspecto oculto da delusão, um processo de criação gerando uma situação consciente em benefício próprio, mas que acaba produzindo efeito contrário, inconsciente e prejudicial. Há uma particularidade muito sutil nesse veneno mental: o grau de consciência sobre a qualidade da ação é muito inferior ao nível de inconsciência sobre o efeito da ação.

É um exemplo clássico da delusão, ou seja, da ação consciente, inconsciente: cria-se um objeto mental e a crença de que a ilusão criada é verdadeira, ou seja, a pessoa mente algumas vezes e passa a acreditar na própria mentira. A manifestação grosseira da mente se move exclusivamente por meio da ação incessante e seus respectivos desejos condicionados.

Por essas razões, a falsidade torna a pessoa insegura e se aglomera com o orgulho exacerbado, o ciúme, a inveja, a ausência de afeto, a solidão ou a depressão; o indivíduo passa a caluniar, movido pela carência, visando um suposto benefício emocional. Desafortunadamente, é uma atitude comum e amplamente preconizada na sociedade em que vivemos, sem qualquer impedimento.

A mentira é uma delusão tão presente e ativa na atualidade que, se não for repelida urgentemente, existe o iminente risco de ser absorvida na formação da personalidade contemporânea, e o que é pior, considerada como sendo benéfica.

Já a hipocrisia (dissimulação), é um sentimento aflitivo bem similar à falsidade. A partir do desejo consciente de beneficiar a si mesmo, obter boa reputação ou objetos materiais, dissimula-se a própria intenção (atitude) para iludir outras pessoas. Em outras palavras poderíamos conceituá-la como sendo a arte de exigir dos outros aquilo que não se pratica.

Embora a falsidade e a hipocrisia aparentem iludir outras pessoas, estão, de fato, ludibriando quem as utiliza. Não há a intenção de assumir os próprios equívocos, numa nítida incapacidade de lidar com as próprias ações.

Falsidade e hipocrisia são ervas daninhas que se propagam maligna e gratuitamente, em qualquer ambiente, em todas as direções, direcionando hábitos culturais imperceptíveis, distorcidos e muito nocivos. Enfim, a prática constante da falsidade faz como que passemos a acreditar na mentira, de forma dissimulada, hipócrita. São ações incessantes automatizadas, ou seja, condicionadas, que andam de mãos dadas e bem justas.

E, você, já investigou se elas rondam a vizinhança?

Niterói, 26 de agosto de 2019

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Palestrante, escritor e mentor, especialista em tendências.

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