A ARTE DA DISCIPLINA

Wilson M. Moura Ξ October, 3rd 2017

A indisciplina é latente na sociedade contemporânea, reinando de forma absoluta. No entanto, o uso da disciplina é um fator mental cada vez mais requisitado devido ao enorme volume de estímulos sensoriais e tarefas diárias, pois a mente não consegue processar tantas informações com eficácia. Etimologicamente, o termo disciplina induz à ação de se instruir, educação, ordem, mas, via de regra, é relacionado à conduta moral. Por extensão de sentido, a disciplina possui uma relação implícita, e muitas vezes explícita, com várias virtudes como planejamento, estratégia, ordenação, eficiência, perseverança, memória ativa (lembrança dos bons ensinamentos) e constância.

Num aspecto mais sutil, a disciplina nos conecta com nosso grau de liberdade, espiritualidade e criatividade. Espiritualidade é a habilidade de agir em paz, isto é, o nível de liberdade que se obtém em relação às próprias percepções. Quanto mais apegados aos conceitos e julgamentos, menos livres estamos, menos criatividade geramos; mais afastados ficamos da pacificação da mente. Por isso, a disciplina também é um fator fundamental na prática da meditação, pois fortalece a atenção plena e inibe a atuação das ações não virtuosas.

Nesse sentido, a disciplina é um caminho sábio para organizar, preservar a liberdade mental e otimizar nosso precioso tempo, único bem irrecuperável. A disciplina produz conexões diretas com a qualidade das nossas escolhas e, portanto, com o nível de liberdade que possuímos perante a vida. Nos faculta a possibilidade de estar sempre atentos, contemplativos, no sentido de nos afastar dos nossos condicionamentos.

O poeta e dramaturgo grego Ésquilo (525/456 a.C.), considerado o criador das tragédias gregas, escreveu mais de 90 peças teatrais com temas que variavam entre o pavor cósmico e a consciência ética, relacionando as poderosas figuras da mitologia greco-romana e a condição humana. Num dos seus textos geniais dizia que “a disciplina é a mãe do êxito”. Em suas obras literárias Ensaios (Essays), publicadas em 1597, 1612 e 1625, o filósofo e cientista inglês Francis Bacon dizia “escolher o tempo significa poupar tempo”. Ele estabelecia uma relação direta do tempo com a disciplina e nos convidava a uma sábia reflexão sobre ordenamento, planejamento, eficiência e dimensionamento das nossas ações. Ordenar as coisas para otimizar tempo, ou seja, não perder tempo, fazer com que as coisas aconteçam.

Além disso, a disciplina também é matéria constante nos textos milenares dos Vedas e foi tema de contemplação de outros grandes pensadores da História como Siddhartha Gautama, Aristóteles e Confúcio; mais recentemente Max Weber, Michel Foucault, Jean Piaget, dentre outros.

Em última análise, a disciplina é um treinamento de plena atenção ética. A arte da disciplina nos ensina a dizer não, sem justificativas. Uma ferramenta fundamental quer para a realização de objetivos, como para a pacificação da mente.

Niterói, 3 de outubro de 2017

Nota: texto extraído do artigo “The Dark Side of the Moon”, do mesmo autor.

Wilson M. Moura

Wilson M. Moura

Educador, mentor, escritor e palestrante, especialista em inteligência emocional e intrapessoal.

Mais sobre mim
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Fator Zen - Um Convite à Paz Interior

Informe-se sobre o conteúdo do livro e receba-o em casa, autografado.

Deixe uma resposta